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quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Terra das Borboletas, em breve!

 



CICLO DE PALESTRAS: A coleção de plantas mais incompreendida do Jardim Botânico de Curitiba - SETEMBRO

 





CICLO DE PALESTRAS:  A coleção de plantas mais incompreendida do Jardim Botânico de Curitiba

07/10/2022, 18h


Ministrantes do Museu 

Botânico de Curitiba:

Marcelo Leandro Brotto – engenheiro florestal, curador

Maristela Zamoner – bióloga lepidopterologista


PROMOÇÃO:

Jardim Botânico de Curitiba


TRANSMISSÃO:

Casa do Biólogo 

(Youtube) 

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

CICLO DE PALESTRAS: Borboletas dos Campos Naturais

 CICLO DE PALESTRAS:  A coleção de plantas mais incompreendida do Jardim Botânico de Curitiba







01/09/2022, 18h

Nossos Campos Naturais
Ministrante: Marcelo Leandro Brotto – engenheiro florestal, curador do Museu Botânico de Curitiba

02/09/2022, 18h
Borboletas dos Campos Naturais
Ministrante: Maristela Zamoner – bióloga lepidopterologista do Museu Botânico de Curitiba

01/09/2023, 18h
O retorno da Fênix
Ministrante: Marcelo Leandro Brotto – engenheiro florestal, curador do Museu Botânico de Curitiba e
Ministrante: Maristela Zamoner – bióloga lepidopterologista do Museu Botânico de Curitiba

PROMOÇÃO: 
Jardim Botânico de Curitiba

TRANSMISSÃO: 
Casa do Biólogo 
(Youtube)  
INSCREVA-SE  NO CANAL.



Ciclo de palestras: Nossos Campos Curitibanos


 

CICLO DE PALESTRAS:  A coleção de plantas mais incompreendida do Jardim Botânico de Curitiba

01/09/2022, 18h

Nossos Campos Naturais
Ministrante: Marcelo Leandro Brotto – engenheiro florestal, curador do Museu Botânico de Curitiba

02/09/2022, 18h
Borboletas dos Campos Naturais
Ministrante: Maristela Zamoner – bióloga lepidopterologista do Museu Botânico de Curitiba

01/09/2023, 18h
O retorno da Fênix
Ministrante: Marcelo Leandro Brotto – engenheiro florestal, curador do Museu Botânico de Curitiba e
Ministrante: Maristela Zamoner – bióloga lepidopterologista do Museu Botânico de Curitiba

PROMOÇÃO: 
Jardim Botânico de Curitiba

TRANSMISSÃO: 
Casa do Biólogo 
(Youtube)  
INSCREVA-SE  NO CANAL.











sábado, 30 de julho de 2022





MINICURSO: Fotografia de biodiversidade, direitos autorais e ciência cidadã

APRESENTAÇÃO: Sérgio Augusto Abrahão Morato
Coordenador da Escola de Biodiversidade do ICTBIO
Vice-presidente do ICTBIO
20 DE AGOSTO DE 2022 - 18h
MÓDULO 1 - Base jurídica e riscos - Serão discutidos os fundamentos jurídicos que envolvem os direitos autorais das fotografias de biodiversidade e os riscos de seus usos indevidos
MINISTRANTE: Dra. Marilia Zamoner, advogada, assessora jurídica editorial com mais de 25 anos de experiência

21 DE AGOSTO DE 2022 - 18h
MÓDULO 2 - Ciência cidadã e boas práticas EMENTA: - O que é Ciência Cidadã - Princípios internacionais da Ciência Cidadã - Fotografia de biodiversidade e Ciência Cidadã - As figuras de organizador, autor e colaborador em publicações envolvendo fotografias de biodiversidade - Casos reais: mídias sociais, livros e outros - Boas práticas e segurança dos direitos autorais, para editores e autores
MINISTRANTE: Maristela Zamoner, bióloga, autora do livro "Biodiversidade e ciência cidadã"

O minicurso será transmitido ao vivo e gratuitamente pelo Canal da Casa do Biólogo. Inscreva-se no canal para não perder.

PROMOÇÃO: 
ESCOLA DE BIODIVERSIDADE DO ICTBIO
CASA DO BIÓLOGO






APOIO:
COMFAUNA LIVROS
EDITORA PROTEXTO




Informações a confirmar nos próximos dias



 

quarta-feira, 9 de março de 2022

A ciência cidadã e os percevejos

 



Palestra: Educação Ambiental e Ciência Cidadã

 











Palestra "Educação Ambiental e Ciência Cidadã".
Realização: Semana da Água 2022 - Prefeitura de São José dos Campos e Jardim Botânico de Curitiba

Junto às possibilidades de atuação na Educação Ambiental para o exercício da cidadania e da preservação da biodiversidade, emerge uma nova forma de participação da sociedade, denominada Ciência Cidadã. Para conhecer melhor o alcance desta temática, será realizada uma conferência com a Bióloga Maristela Zamoner, autora do livro “Ciência Cidadã e Biodiversidade” (Comfauna Livros, 2021).

Maristela ministra cursos sobre Ciência Cidadã, possuindo vasta experiência com projetos nesta linha. As ações voltadas à proteção da fauna silvestre resultam na melhoria da conservação das florestas e da água. Professores, alunos de graduação e interessados em conservação da biodiversidade estão convidados a participar e interagir conosco nessa conversa que envolve ciência e comunidade.

Quando: 23/03/2022 - quarta-feira
Horário: 19h

A transmissão ocorrerá pelo canal da Casa do Biólogo no Youtube e as inscrições para obtenção do link e de certificados podem ser feitas por este formulário: https://forms.gle/x8cAcKXh9HxCcYUF7




terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

5o Encontro de Observação de Borboletas - Conferências confirmadas!

 









PROGRAMAÇÃO:

04/03/2022* - 18h-19h
Conferência: Abertura e últimas publicações em borboletas e ciência cidadã - Maristela Zamoner (Brasil)

05/03/2022* - 18h-19h (Brasil)/16h/17h (Colômbia)
Conferência: Observação e fotografia de borboletas e mariposas - Juan Guillermo Jaramillo V. (Colômbia)

06/03/2022* - 16h/17h  (Brasil)/ 20h/21h (Barcelona e Milão)
Conferência: Butterfly Migration: um projeto mundial de ciência cidadã para investigar as mudanças nas distribuições sazonais de borboletas - Gerard Talavera (Barcelona) e Alessandra Lombardi (Milão)

07/03/2022** - 10h-12h (Brasil)
Prática de campo e sorteio de um pôster Borboletas da Mata Atlântica (Anolis Books) - conforme condição climática

08/03/2022* - Publicação - vídeo de encerramento

On-line: Canal da Casa do Biólogo – inscreva-se no canal para participar

** Jardim Botânico de Curitiba – em frente a estufa principal




sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

5o Encontro de Observação de Borboletas







PROGRAMAÇÃO:

04/03/2022* - 18h-19h
Conferência: Abertura e últimas publicações em borboletas e ciência cidadã - Maristela Zamoner (Brasil)

05/03/2022* - 18h-19h (Brasil)/16h/17h (Colômbia)
Conferência: Observação e fotografia de borboletas e mariposas - Juan Guillermo Jaramillo V. (Colômbia)

06/03/2022* - 16h/17h  (Brasil)/ 20h/21h (Barcelona e Milão)
Conferência: Butterfly Migration: um projeto mundial de ciência cidadã para investigar as mudanças nas distribuições sazonais de borboletas - Gerard Talavera (Barcelona) e Alessandra Lombardi (Milão)

07/03/2022** - 10h-12h (Brasil)
Prática de campo e sorteio de um pôster Borboletas da Mata Atlântica (Anolis Books) - conforme condição climática

08/03/2022* - Publicação - vídeo de encerramento

On-line: Canal da Casa do Biólogo – inscreva-se no canal para participar

** Jardim Botânico de Curitiba – em frente a estufa principal










sábado, 1 de janeiro de 2022




LANÇAMENTO VIRTUAL DO LIVRO: “ Borboletas de Curitiba e do Paraná - Contribuições da Ciência Cidadã”. 

REALIZAÇÃO: ICTBio, Prefeitura de Curitiba e Comfauna Livros. 

APOIO: iNaturalist, Instituto Água e Terra - IAT, Rede Brasileira de Ciência Cidadã - RBCC e Casa do Biólogo.

Baixe gratuitamente no link: https://comfauna-livros.blogspot.com/2021/12/lancamento-virtual-liberi-ano-6-volume.html?m=1



domingo, 14 de novembro de 2021

O símbolo do lepidopterologista: a rede entomológica

Por Maristela Zamoner, agradecendo a Carlos Eduardo Zikan pela inspiração deste texto.







Acredito que seja cultural. Nossa história com a lepidopterologia estabeleceu paradigmas de coleta, e acabou por fixar no imaginário de muitas pessoas a ideia de ser a única forma "séria" de estudar esta fauna. A rede entomológica acabou se tornando um símbolo de quem estuda borboletas, e é ostentada por alguns como um troféu. E ela tem mesmo muita importância, afinal, nos trouxe até aqui em termos de conhecimento. Também até pouco tempo as alternativas às coletas eram muito restritas. 


Todo avanço tem sim um custo e aponta para desafios que, no início, parecem intransponíveis. Todo avanço provoca manifestações de oposição e resistência, super importantes para seu próprio aprimoramento e viabilização. Mas está mais do que na hora de começarmos a conhecer a vida imersa no que restou dos ambientes naturais hoje tão pressionados, já temos tecnologia para esse… atrevimento.  



Fotografias de borboletas e seus ovos, todas obtidas em campo, sem a sua retirada da natureza


É inteligente a configuração de uma sociedade que garanta espaço seguro e digno para a experimentação do diferente, liberta de qualquer forma de xenofobia, mesmo havendo a óbvia necessidade de ajustes. 



Pesquisadora fotografando ovo de borboleta em campo.


E não significa, em hipótese alguma, que os métodos tradicionais devam ser eliminados. Mas sim que é urgente começar a pensar com parcimônia, gentileza e generosidade quando estamos diante da fortaleza frágil da natureza para estudá-la.  


Equipamentos demonstrativos de metodologia destrutiva - coleta, sacrifício e armazenamento definitivo em coleções físicas tradicionais.



Afinal, já está na hora de olharmos seriamente para métodos de pesquisa que não se definam numa senda "extrativista".  Vivemos um tempo no qual as tecnologias oferecem bases para se estabelecer novos rumos. Nós, pesquisadores, e aqui incluo com a mesma dignidade e valor os profissionais e os cidadãos, temos um compromisso vital com as próximas gerações, de não nos afirmarmos como mais uma forma de pressão negativa contra a biodiversidade. 


É quem fotografa a vida na natureza que está mostrando ser possível este avanço para lepidopterologia. E está escrevendo um capítulo inédito nessa longa história. Que não tem volta. Por isso, o equipamento fotográfico merece ser incluído entre os símbolos do lepidopterologista, como nos ensinam os ornitólogos da atualidade. Ele é digno de orgulho e merece ser carregado como um troféu científico sim, pois é uma conquista para toda a humanidade.


Borboleta da espécie Epityches eupompe fotografada durante oviposição, em ambiente natural.




sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Primeiro lugar mundial em registros de borboletas na natureza é de uma curitibana


A bióloga Maristela Zamoner atua na área de lepidópteros desde meados dos anos de 1990. Mas somente em 2018 começou a registrá-los em vida. Foi no dia 13 de março de 2018 que tudo começou, a bióloga fotografou, em uma Unidade de Conservação de Curitiba uma mariposa incomum, conhecida como a maior do mundo, com cerca de 30cm de envergadura. Se tratava de um macho da espécie Thysania agrippina, espécie conhecida como bruxa-branca, ou mariposa-imperador. Foi o primeiro registro que inseriu em seu perfil na maior plataforma mundial de biodiversidade e Ciência Cidadã. 


O registro fez com que pesquisadores dos EUA a contatassem no intuito de descobrir fases jovens do inseto. A partir desta primeira experiência, tornou-se uma rotina alimentar a plataforma com fotografias de borboletas, postadas com as respectivas espécies identificadas.

Ao final de 2018, os resultados ensejaram um convite da chefia do Museu de História Natural do Capão da Imbuia para institucionalização das atividades, integrando-as oficialmente ao escopo de trabalho da instituição onde a bióloga já atuava, no serviço de curadoria da coleção científica de invertebrados.

Logo foi contatada pelo ICMBIO de Brasília, para integrar atividades na área de lepidópteros e mais tarde por um analista do IBAMA também de Brasília, quando foi informada ser referência internacional na área de lepidopterologia por ocupar o primeiro lugar mundial em registros de borboletas no maior portal de biodiversidade e ciência cidadã do planeta, o iNaturalist.  Maristela Zamoner é uma entre os mais de 300.000 observadores de borboletas que integram ao iNaturalist. Ela contribuiu até o momento com mais de 14.000 registros de borboletas e suas identificações, quase o dobro de registros do segundo lugar, de Singapura. A especialista é hoje uma das curadoras do portal iNaturalist, onde desenvolve projetos e guias além de contribuir destacadamente com a alimentação do portal.

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Conheça algumas lagartas e suas hospedeiras

 


https://bioone.org/journals/journal-of-insect-science/volume-14/issue-91/031.014.91/Biology-and-External-Morphology-of-the-Immature-Stages-of-the/10.1673/031.014.91.full

sábado, 25 de setembro de 2021

Arzecla straelena não existe?

Atualizado 16h50min do dia 28 de setembro de 2021.

Por Maristela Zamoner

O artigo que descreve Arzecla straelena (link ao final) usa apenas um exemplar para a descrição, um macho coletado na Colômbia, e cita que os machos de Arzecla calatia não são conhecidos. Arzecla calatia tem uma distribuição capaz de abranger a Colômbia, e foi registrada viva em Curitiba.

Lembrando, teoricamente em 2019 e 2021 ocorreram registros de Arzecla straelena em Curitiba, o primeiro deles reconhecido pelo descritor da espécie que considerou uma possibilidade de sua distribuição ser mais ampla do que imaginado inicialmente. O primeiro registro de Arzecla straelena viva em Curitiba ocorreu um ano e pouco antes do primeiro registro de Arzecla calatia.

O caractere diferencial de Arzecla calatia citado do artigo que descreve Arzecla straelena, seria uma marca amarela vívida submarginal nas asas anteriores e posteriores, que é o local próximo das bordas das asas, como você pode ver na fotografia. Mesmo havendo apenas fêmeas conhecidas, este foi o caractere considerado e aceito como diferencial de toda a espécie pelos especialistas.

Arzecla calatia, confira os dados deste registro AQUI.


A espécie considerada no artigo como mais próxima de Arzecla straelena é Arzecla taminella

Arzecla taminella, confira dos dados do registro AQUI.


E as diferenças entre elas, apontadas no artigo, visíveis em nossos registros de campo, são uma área submarginal (próxima a borda da asa) com uma padronagem em Arzecla taminella, que não existe em Arzecla straelena


Fotografias de Maristela Zamoner














Fotografias e composição: Maristela Zamoner.


Reforçando. Machos de Arzecla calatia são desconhecidos. 
E fêmeas de Arzecla straelena são desconhecidas.














Fotografias e composição: Maristela Zamoner.

A surpresa que faz refletir, aparece quando cometemos o atrevimento de ousar pensar na possibilidade de erro, mesmo cientes da falibilidade da ciência. E... comparamos mais parcimoniosamente nosso próprio registro de Arzecla straelena (identificado por seu descritor a partir de um único macho) com nossos próprios registros de Arzecla calatia (fêmeas?), e notamos que a única diferença parece ser a marca amarela que é usada para caracterizar Arzecla calatia como espécie, entretanto, a partir apenas do conhecimento das fêmeas.

















Fotografias e composição: Maristela Zamoner.


Notemos que a espécie considerada mais próxima de Arzecla straelena por seus descritores, foi Arzecla taminella. Mas pelas imagens, Arzecla straelena guarda mais semelhanças com Arzecla calatia.














Fotografias e composição: Maristela Zamoner.


A ausência de dimorfismo destacado entre outras espécies do grupo parece ter sido um fator inibidor para se admitir a possibilidade de Arzecla straelena não existir, se tratar apenas de um macho de Arzecla calatia com dimorfismo. Isto faz lembrar Heliconius nattereri.

A questão que fica é: seria o único exemplar usado para descrever a Arzecla straelena um macho de Arzecla calatia?

Infelizmente as coleções científicas não estão democratizadas, em favor da inclusão científica, para que os cientistas cidadãos, e parte dos próprios cientistas profissionais, possam verificar com autonomia os exemplares coletados no passado, ou mesmo recentemente. Será que alguma coleção brasileira guarda um macho de Arzecla calatia que desconhecemos, e sua morfologia seria equivalente a de Arzecla straelena? Não sabemos. As coleções são, em sua maioria, públicas, mantidas por todos nós. Mas o acesso livre aos seus conteúdos, ainda não é para todos nós.

Felizmente a ciência cidadã avança democratizando conhecimento, mantendo uma conduta inclusiva, liberta de preconceitos. E ela nos fornece subsídios, neste caso, para revelar que há enorme variação da marca amarela submarginal que caracterizaria a espécie Arzecla calatia, entre os indivíduos fotografados vivos pelos cientistas cidadãos da Grande Curitiba.





Fotografias de Roberto Cyrino e Maristela Zamoner em composição da última.


A partir de agora, acredito que seja momento de nos unirmos, todos, em favor do possível para desvendar o caso até o fim. Este certamente não é o último capítulo desta novela.

Então, como cientistas cidadãos, precisamos muita atenção em nossos registros deste grupo. Atenção a tudo, alimentação, comportamentos diversos, principalmente rituais e cópulas, possíveis fases jovens, oviposições, plantas hospedeiras entre outros aspectos. 

Quanto aos cientistas profissionais que têm acesso às coleções científicas, seria muito conveniente a realização de uma revisão dos acervos em busca de um macho de Arzecla calatia. Seria bem-vinda a produção e disponibilização ao acesso livre de fotografias dos exemplares deste grupo que estão nas coleções, o que é possível até com uso de aparelhos celulares. Isto traria mais transparência para todo este histórico e, não se pode negar, é interesse e direito da sociedade como um todo. E se não for encontrado nenhum exemplar macho de Arzecla calatia, em nenhuma das coleções científicas, teremos um caso no qual uma coleta será realmente necessária. Afinal, é possível que não se trate de uma espécie tão rara quanto se havia pensado inicialmente. Desta forma, caso algum pesquisador autorizado a realizá-la (coleta) venha a ter interesse no caso, pode nos contatar (ver formas de contato abaixo) a fim de que, na eventualidade de reencontro, no âmbito da ciência cidadã, com indivíduos potencialmente esclarecedores do caso, façamos contato imediatamente para realização oficial de uma coleta. 

O descritor da espécie Arzecla straelena até hoje foi um dos cientistas profissionais que se mostraram muito gentis e respeitosos diante da ciência cidadã e do trabalho que realizo envolvendo registros de borboletas na natureza. Então, escrevi para ele novamente, agora perguntando com objetividade se há possibilidade do exemplar macho coletado na Colômbia (usado para descrever a espécie Arzecla straelena) ser um macho de Arzecla calatia. Em resposta, nos informou que tudo que ele sabe está no artigo, dados bionômicos e aparência de asas das duas espécies são diferentes. Por fim, solicitou ser informado se encontrarmos algo mais. Foi como procedemos. No momento em que cogitei esta possibilidade de não existência da espécie Arzecla straelena, decidi trazer a público, isto foi despertado pelo artigo recém publicado (link ao final), que foi seguido de uma revisão que fiz em todos os nossos registros do grupo na natureza. O registro do cientista cidadão Roberto Cyrino, me pareceu ainda mais próximo dos de Arzecla calatia que registramos aqui em Curitiba, visualmente parece até "ensaiar" uma marca amarela na região submarginal das asas. 

Neste link está a transmissão sobre o caso pelo Canal da Casa do Biólogo no Youtube. Para mim, a sensação de aproximação com a realidade é muito mais satisfatória do que a de um primeiro registro para o país. E acredito que para o descritor da espécie esta sensação também seja mais satisfatória do que a de descrever uma espécie nova. 

Algumas reflexões são interessantes, para finalizar. 
  1. É preciso pensar sobre a influência que a carência de democratização das coleções teria sobre os próprios cientistas profissionais e os resultados de suas pesquisas. 
  2. Parece que precisamos ser ainda mais críticos, talvez a crença nas autoridades precise ganhar uma nova dimensão mais rapidamente, mais leve para todos, afinal, ninguém está livre de errar e os tempos modernos estão a nosso favor para realizar correções com presteza.
  3. Não podemos deixar de refletir sobre nossas metodologias para reconhecimento de espécies a partir apenas de exemplares coletados, sem conhecimento de biologia e ecologia. Hoje, o padrão é não aceitar uma descrição com base em fotografias de uma espécie de borboleta em vida, teoricamente, nem se houver testemunho de todo o ciclo e seus dimorfismos. Mas é aceita, legitimada por pares e levada a termo, uma descrição feita a partir de um único exemplar coletado.
  4. Também é tempo de pensar sobre o retorno da ciência cidadã e seu papel de contraponto, além da produção genuína de conhecimento científico que faz. Os números de interessados em conhecer borboletas crescem avassaladoramente ano a ano. Isto impacta a forma como o conhecimento é produzido e revisado. Este caso mostra bem isto. Os resultados e consequências disso, de forma alguma, podem ser diminuídos ou estigmatizados. Seja qual for o desfecho deste caso, ele já é um demonstrativo, sob vários aspectos, de que a ciência cidadã é ciência genuína, digna de respeito, e vai muito além de um entusiasmo popular.



Estas análises foram feitas a partir da aplicação da Técnica da Sobreposição, usando as poucas imagens disponíveis de tipos e dos registros obtidos em campo.



Artigo que descreve Arzecla straelena, confira AQUI 
Artigo recém-publicado incluindo o registro curitibano de Arzecla straelena, confira AQUI.

Contatos: https://collectory.sibbr.gov.br/collectory/public/show/co364

Agradecimento: a todos os cientistas cidadãos do projeto LEEB com os quais esta discussão foi iniciada, em especial Tiago Barbosa. Aos registros de Roberto Cyrino, Eloi Prodossimo, Cauã Menezes e Clarice Dorocinski. A Onildo Marini pela paciência de discutir o caso sábado a noite. Ao meu marido Deni Lineu Schwartz Filho, que ouviu sobre este assunto durante dias, participando de cada discussão.